Beleza

Verdade ou mito: cabeleireiros homens fazem mais sucesso que mulheres?



Se no começo do século 20, homem só cortava o cabelo de homem e mulher, de mulher, isso não é mais uma realidade há décadas.

Segundo uma pesquisa encomendada em 2018 pela Beauty Fair, a Euromonitor International indicou que no Brasil 83% dos salões de beleza são focados no público feminino. Neste nicho, não é difícil é lembrar alguns dos nomes que mais se destacam. Romeu Felipe, Marcos Proença, Celso Kamura, Marco Antonio de Biaggi, Anderson Couto, Rafael Bertolucci entre outros. Mas, um detalhe chama a atenção. Todos esses são do sexo masculino.
Por que será?

Os melhores da história

A profissão “cabeleireiro” é uma das mais antigas da história da humanidade. Pentes e navalhas feitos em pedra fazem parte dos acervos arqueológicos que mostram que a preocupação com os fios vem da pré-história. Foi no Egito, há 5 mil anos atrás, que a arte de cuidar dos cabelos ganhou força, seguido dos primeiros salões de beleza em praça pública na Antiga Grécia, no século II a.C.

Apesar do ramo da beleza ainda ter uma demanda bem maior do público, os homens já se destacavam na profissão desde o século XVII, encabeçando o status de celebridade.

O primeiro cabeleireiro oficialmente registrado na história da humanidade foi o polonês Champagne, disputadíssimo pela realeza polonesa e conhecido pelo seu temperamento artístico em pleno século XVII. Legros de Rumigny também foi um importante nome do século XVIII: além de atender a corte francesa, Legros abriu uma escola para cabeleireiros e desenhou 38 estilos de cabelo da época em livro publicado.
Já entre as mulheres, o primeiro registro feminino na história da beleza foi de Helena Rubinstein, uma empresária polonesa que fundou o primeiro salão de beleza do mundo em 1902, na Austrália.

Nos passos da atualidade

Este cenário dominado pelos homens em muitos aspectos durante a história é parecido com a postura das principais marcas de beleza no Brasil no processo de escolha dos seus embaixadores para ações de publicidade.
Um exemplo é Wella Professionals que, em 2019, anunciou a primeira mulher para integrar o time de embaixadores ao lado de outros nove nomes, todos do sexo masculino, escolhidos em anos anteriores. Bruno Lotufo, Dougllas Dias, Ricardo Rodrigues e diversos outros nomes de peso dividem, agora, a posição de embaixadores ao lado da competente hairstylist Andrea Pecora e também do famoso Romeu Felipe, o primeiro brasileiro no time de embaixadores globais de Wella. Juntos, eles participam de campanhas e fazem parte dos cursos, mentorias e demais atividades desenvolvidas pela marca.

Uma equipe majoritariamente formada por homens também se repete no grupo de embaixadores da L’oréal Professionnel, segundo informações do site oficial, são nove homens e três mulheres. Um número semelhante também é visto na Truss Hair com uma equipe de embaixadores que possui seis homens e apenas uma mulher.
Juntas, essas marcas cedem lugares de destaque na publicidade a 24 embaixadores do sexo masculino e 5 do sexo feminino, ou seja, as mulheres têm menos de 20% dessa visibilidade como profissionais do segmento.

A equipe do Glow News procurou todas as marcas citadas para entender os critérios adotados na escolha dos embaixadores, mas até o fechamento da matéria não tivemos retorno.

 

Nos salões de beleza

No dia-a-dia dos salões, essa realidade dominada majoritariamente pelos homens também é constante. No espaço MG Hair, localizado em São Paulo e considerado pela revista ELLE (Alemã e Italiana) um dos 10 maiores templos de beleza do mundo, a equipe de cabeleireiros é formada por seis homens e nenhuma mulher, segundo o site oficial do salão.

Já no ROM Concept, um dos salões de beleza mais famosos do país, e liderado por Romeu Felipe, os homens também são maioria na linha frente, porém a diferença já não é tão grande. São 11 hairstylists do sexo masculino e oito do sexo feminino, segundo informações retiradas das redes sociais oficiais do estabelecimento.

Entre esses profissionais está o cabeleireiro Everson Fernandes que compõe a equipe do salão há cinco anos, sendo dois como assistente e três com seu próprio time. O hairstylist acredita que houve um tempo, inclusive, em que as clientes gostavam de ser atendidas apenas por homens, mas isso não existe mais. Apesar disso, o mercado da beleza está em constante crescimento com grandes oportunidades para homens e mulheres, sem esse estigma de que é o mercado da beleza é só delas. “O mundo vê o homem cabeleireiro de forma diferente hoje, até em questão salarial. Estamos mais valorizados e o preconceito já nem existe tanto”, afirmou.

Priscilla Silvestre é uma dessas mulheres que prefere que o atendimento seja feito apenas por homens. Para ela, eles são muito mais compreensivos na hora em que ela, como cliente, propõe uma mudança de visual. “Acho o cabeleireiro homem muito mais leal, são mais sinceros nessa questão”, finalizou.

A médica Flávia Schwarzberg também concorda com a Priscilla. Para ela, estabelecer essa relação de confiança e sinceridade com o cabeleireiro é essencial. Cliente do Everson há 5 anos, Flávia não troca mais de profissional. “Ele nunca mentiu para mim! Ele me fala quando não está bom, mesmo que seja uma cor feita por ele”, completou. Apesar disso, Flávia acredita que essa preferência na hora do atendimento existe sim, “não só pelo sexo, mas principalmente pela personalidade [do cabeleireiro]. Tem que combinar com a sua”, finalizou.

O que elas acham disso?

Existe também no mercado de beleza quem prefira receber atendimento apenas de outras mulheres. Uma dessas clientes é a Ana Amélia, que prefere ser atendida por profissionais do sexo feminino por apoiar o movimento feminista e querer valorizar a mão das mulheres. Para ela, “é uma questão de dar preferência mesmo. Eu até aceito ser atendida por homem, mas prefiro que seja mulher”.

A cabeleireira Kelly Farias, atuando na área há 13 anos e profissional do ROM Concept, ela acredita sim que os homens têm mais oportunidades, mas que as mulheres estão mudando isso. “O mercado da beleza está crescendo cada vez mais para nós. Muitas profissionais já estão se destacando”, pontuou. Kelly reforça que os homens também têm o seu lugar de destaque, mas que o empoderamento feminino é a chave para as mudanças. Para ela, o segredo é “sempre correr atrás dos objetivos e nunca criar barreiras porque tudo que persistimos sempre dá certo”.

Nota da Redação

Durante o processo de produção desta matéria, nossa equipe percebeu que a maioria das clientes entrevistadas tem preferência por cabeleireiros homens, mesmo elas não conseguindo citar, muitas vezes, o motivo exato. Percepção essa que, de certa forma, pode justificar a maior presença de homens nos grandes salões de beleza e como embaixadores de marcas do segmento.

Independente do sexo, é completamente indiscutível o talento de todos os profissionais citados nessa matéria. O objetivo do Glow News com esta reportagem é provocar uma reflexão sobre a necessidade de uma evolução constante do nosso mercado de beleza para que juntos consigamos acompanhar uma pauta social tão relevante para a nossa sociedade.

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